quinta-feira, 25 de março de 2010

Vida, essa que faz ser !


Bom Dia !!!!!

Não esqueça que o princípio demanda de Ti, Você querendo tens condições de lutar pelos seus ideais, seus sonhos assim como ir ao encontro de sua felicidade e curti-la, pois o que para alguns é pouco ou nada para muitos é tudo ou a vida, viva deixando os outros viverem na Paz, viva e seja feliz . Deus sempre lhe protegerá .

JB

O bom combate é aquele que você trava com o coração cheio de paz.

Paulo Coelho


VOO CEGO


Nasço desnuda, desdentada, olhos fechados para o mundo.
Ser ainda desconexo, acoplado ao umbigo externo, imundo.
Sedento de carinho, faminto de calor, carente de afeto.
Meio bicho, meio planta, uma espécie de bibelô e feto.

Sou visto antes de nascer, em uma máquina que lembra o raio X.
Posso ser motivo de lágrimas de quem já me ama ou se vê infeliz.
Chupava dedo no ventre, calmamente, sem escrúpulos...
Dava cambalhotas, sem ter medo do ridículo.

Mas eis que afloro pra luz mundana, à espera do banho inaugural
E me banho de lágrima, de medo e de frio, em choro gutural.
Aos poucos reconheço vozes, gritos, sussurros, gargalhadas
E percebo quanto os adultos são afeitos a palhaçadas...

Fazem caretas, vozes infantis. Compõem músicas esquisitas
E me sacodem muito nos braços, em meio a laços e fitas...
Quase me sufocam. Mas teimo em crescer e passo a caminhar.
São passos trêmulos a princípio, mas logo quero voar.

Sigo a esmo. À procura de mim, mesmo. Num eterno sei lá.
Nem sempre encontro apoio, mas invento patuá.
Sinto que a cobra cega é minha brincadeira eterna,
Nessa cela da vida – meio playground, meio caserna.

Meus olhos não me bastam. Minha visão se limita.
Enxergo bem poucos metros. A paisagem é diminuta.
Mas o que mais me intriga
É discernir quem será minha verdadeira amiga,
Minha paixão bendita
Ou me dará cicuta.

Bebo sofregamente o cálice da morte,
A cada dia. Sem destemor.
Não vejo perigos, não pressinto dores,
Creio na sorte,
Na saga dos vencedores,
Na força do amor.

E continuo sob a cortina,
Em meio a uma densa névoa,
Perdida na bruma,
De uma noite que termina
(Sem mais uma)
E me leva.

Por isso sigo cega, numa caixa escura,
Encerrada num fosso fundo,
Cercada de pessoas com traje escuro,
Andando em linha, taciturnas...

Parece uma doença sem cura,
O maior mal desse mundo,
Deixando-nos em apuros
Sob as furnas...

Mas é simplesmente o retorno ao pó,
A transformação da carne, do ser.
O voltar a ser desdentada, imunda,
Coberta de terra e é só.

Só uma forma nova de renascer,
De ampliar a cova funda
Que se aprofunda
E não tem fim.

Mais um vôo cego,
Para quem tem venda
E não quer crer
Que somos arma
E estopim
De tiros certeiros
Que damos, ligeiros,
Em alvo afim.
Um tipo de mira
Voltada pra mim.
Por isso mesmo
Se atirei ventura
Colherei regalos.
Mas se disseminei tortura
Viverei abalos.
E, mais tarde,
Sem a venda,
Reconhecerei minhas tentativas,
Meus acertos.
Remoendo erros
Enquanto viva.


Mas tentarei retornar à cela.
Voltar banguela.
Chorar de novo.
Sair do ovo,
Voltar pra cova.
Ansiar a sova,
Pra aprender mais um pouco.

O ser humano é louco!
Porque se entrega
Continuamente
Como um ente
Que voa às cegas...


Marluci Ribeiro de Oliveira


Beijões e Abrações .



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PAZ .

PAZ .

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